Nunca Estou Satisfeita com Nada

Imaginem um copo com um furo imperceptível.

Você enche o copo e quando vai pegá-lo verifica que ele está quase vazio. Você olha e não acha furo algum. Volta a enchê-lo, mas a água escoa novamente… Tem algo errado com esse copo, e, analisando minuciosamente, você percebe que ele tem um furinho bem pequeno, motivo da água escoar.

Existem pessoas assim – você se doa o tempo todo, mas ela nunca está contente. Acha que está recebendo muito pouco, fica emburrada, se diz não amada e acha que você não a satisfaz como deveria.

Sendo assim, você se desdobra em cuidados, se doa, faz mais pela pessoa, achando que agora sim ela vai se satisfazer. Mas, ao invés disso, percebe que ela continua insatisfeita.

Você se sente exaurido, irritado. Fez seu máximo e mesmo assim ela continua exigindo cada vez mais, e nada do que você faz a deixa feliz por muito tempo.

“Afinal, o que eu preciso para saciá-la?” Você se questiona.

Pois nada do que você fizer irá saciá-la. O furo existencial é dela e a quantidade de atenção que você oferece simplesmente não vai suprir o escoamento.

Que furo existencial é esse?

Esta pessoa tem uma estrutura de personalidade com a seguinte característica: a não satisfação com ela mesma. A necessidade dela de acolhimento, de sentir-se amada, vai além do que qualquer pessoa pode dar. A única coisa que a satisfaz é sentir que tem posse da sua existência, da sua alma…

Assim, você fica como que capturado por essa pessoa. Poderá ter apenas os desejos que ela consentir que você tenha, e sua liberdade irá apenas até onde ela permitir que vá. E, claro, uma pessoa capturada acaba se tornando refém, sem liberdade de ir e vir.

Estamos então diante de alguém ruim, perverso?

Não. Na realidade, ela sofre muito por ter esse desvio de personalidade. A carência dela é imensa. Ela se sente o tempo todo insegura, com uma sensação de vazio e com medo de não ser o suficiente para prender você.

E o que fazer, caso você se relacione com uma pessoa assim?

Doar-se, sim, mas não até o ponto de se perder. Pare de achar que precisa fazer mais, pois, conforme já foi dito, a demanda dessa pessoa é infinita.

Uma pessoa assim precisa de uma terapia de qualidade. Seu furo existencial vem da infância, e não tem nada que ver com a falta de amor dos pais, mas sim com esse amor que ela não subjetivou. É a estrutura de sua personalidade que faz com que ela se comporte assim, e a psicanálise vai tirá-la desse aprisionamento.

Amar uma pessoa com essa insatisfação interna é extenuante. Algumas vezes você até fará com que ela se sinta feliz, mas será uma felicidade temporária e logo ela se sentirá incompleta novamente.

 

Sandra Mariani

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2 comentários sobre “Nunca Estou Satisfeita com Nada

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