Tenho Um Filho Homossexual

Onde foi que eu errei?!!”.
Essa é a pergunta que aparece no final de um quadro em que o pai se sente culpado de ter um filho homossexual. 
Com a maior tolerância da sociedade, sobretudo da mídia aos homossexuais, muitas famílias ainda se escandalizam e pais demonstram ansiedade diante da possibilidade de que seu filho  possa um dia revelar essa tendência sexual.
Há controvérsias se o homossexualismo é determinado geneticamente, se é resultado da educação ou do meio ambiente em que a pessoa é criada.
Na contra mão da tendência bio-geneticista das causas do homossexualismo, estão os psicólogos e psicanalistas.
Não se nega que a base genética de nossas características humanas ou as tendências que temos de desenvolver algumas doenças, por exemplo, tem base genética, mas daí incluir o homossexualismo como quase-doença geneticamente determinada é puro simplismo científico.
Tipos de  brincadeiras que uma pessoa preferia quando criança,  roupas, jóias, tipo de relação com a mãe, com o pai, etc. nos levam a concluir que fatores  do desenvolvimento, o tipo de investimento familiar e as tendências da própria pessoa,  pesam muito mais na determinação do homossexualismo do que os fatores genéticos.
As vivências “fora” da família, as relações interpessoais com vizinhos, colegas da escola e da rua, são fatores que pesam no desenvolvimento da personalidade.   Meninos que se comportam segundo o estereótipo de menino (gostam de brincadeiras mais agressivas, se identificam com heróis, gostam de aventuras, ação, são menos obedientes e se encrencam na escola por má conduta mais que as meninas etc) se diferenciam dos que costumam ter um jeito mais suave e introspectivo.
O “normal” nessa cultura é esperar que os meninos sintam-se atraídos pelas mulheres, mas não em ser como elas. Porém, sobram perguntas sem respostas satisfatórias.
Como entender as pessoas que desde crianças sentem-se atraídas pelo estilo das meninas? Será que, só por essa tendência, fatalmente desenvolverão homossexualismo ou será apenas uma fase passageira? E as meninas que admiram mais as meninas, que são fascinadas por pessoas famosas, será que estão sendo atraídas a se tornarem homossexuais ou trata-se somente de simples admiração?
Inconclusivo.
Na clinica já identifiquei  três fatores que parecem determinar o homossexualismo: a forte ligação com a mãe, a fixação na fase narcísica e o complexo de castração. No primeiro, o homossexualismo teria início devido a uma forte e incomum fixação com a mãe o que impediria essa pessoa de se ligar a outra mulher. O segundo fator, o narcisismo, faz com que a pessoa tenha menos trabalho em se ligar ao seu igual que em outro sexo. A estagnação na fase narcísica faria com que “o amor fosse para eles sempre condicionado por um orgão genital semelhante ao deles” .
 O terceiro fator, aponta problemas relativos à travessia da castração, isto é, sofrimentos relativos as perdas e a idéia de morte que deixariam a pessoa acomodada ou acovardada na sua psicossexualidade
Mas só se trabalha isso se houver conflito interno do paciente.
De fato, não podemos escapar da realidade de que somos todos ambissexuais. 
A criança, num certo estádio do seu desenvolvimento normal, manifesta sentimentos anfieróticos, quer dizer, ela pode transferir sua libido ao mesmo tempo para o homem (o pai) e para a mulher (a mãe). Observa-se em qualquer cultura do mundo — incluso também a nossa — que as pessoas tendem a ter atração pelo mesmo sexo e se distanciam do sexo oposto, ou seja, as amizades são mais fáceis de acontecer entre homens e só de mulheres entre si.
Por isso existe o “clube da Luluzinha” e as reuniões com os amigos num determinado dia da semana.
Até a pouco tempo, as escolas separavam salas de aulas só de meninas e outras só com meninos, numa evidente opção institucional e inconsciente pela “homossexualidade”.
Até hoje, no interior brasileiro, assim como no mundo oriental, os hindús, os árabes, se sentem mais próximos dos homens que de mulheres.
Nessas culturas, não há preconceito quanto a homossexualidade, vista nos grupos de danças, nas rodas de jogos, nas conversas e brincadeiras. Esses grupos se organizam segundo as regras da homossexualidade (quer dizer: “igual sexo”) e, no entanto, ao que parece não chegam a ser homossexuais. Por quê? Talvez pelo complexo de castração, o terceiro fator acima proposto pela psicanálise.
Mas ainda não foram respondidas satisfatoriamente as questões:
Por que algumas pessoas tem preferências ou tendências homossexuais?
Será que o homossexualismo não passa de uma espécie de inveja do outro sexo;que deseja ter o jeito do outro? 
Ou, seu desejo primeiro é não ter desejo, nem  ser “macho”, nem “fêmea”, mas de ser o terceiro sexo?
Qual o limite da determinação genética quanto a homossexualidade e o homossexualismo? 
Não há uma única causa quanto ao que determina o homossexualismo.
A religião condena, a sociedade discrimina, os conflitos são das mais variadas espécies, tanto internos como externos. 
Muita luta para ser ou parecer “normal” quando nem sequer sabemos o que é referencia de “normal”.
Os pais  deveriam educar seus filhos para uma sexualidade sadia, sem preconceitos ou sofrimentos desnecessários.
 Deveriam ter melhor preparo, mais esclarecimentos e sobretudo saber escutá-los nas suas dificuldades e dúvidas. 
 Os  pais de homossexuais, não mais deveriam  se perguntar “Onde foi que eu errei?”, mas “Como devo proceder-me para que essa pessoa seja feliz?”, porque em verdade, o amor não tem sexo.
 
(RDL)
 
Vagner Crepaldi
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