Indiferença

Como machuca a indiferença das pessoas que amamos ou consideramos. Como dói perceber o desprezo que acompanha uma atitude de indiferença: é como se a pessoa estivesse nos dizendo que não está nem aí por nós. O melhor meio de sentir a força desta palavra  é definir o que ela  significa. Vejamos o que diz o Aurélio: “desdém, desprezo, desconsideração, apatia, insensibilidade”. É a maneira mais sutil e educada de se desprezar alguém.
É muito difícil sentir indiferença quando amamos, respeitamos ou consideramos alguém. Este sentimento só se manifesta quando não nutrimos nenhum sentimento mais nobre pela pessoa, ou seja, quando lidamos com um desconhecido ou por quem nutrimos certa antipatia ou antagonismo. Até mesmo por uma pessoa estranha, que nunca vimos, podemos não ser indiferentes por educação, solidariedade e/ou humanismo.
A indiferença se manifesta tão intensamente no dia a dia das pessoas, que provoca atritos, reações negativas de todo o tipo, além de ressentimentos que o tempo custa a apagar. Você pode esquecer uma agressão física ou verbal, uma mentira, uma impontualidade, e até uma traição, mas você não esquecerá jamais um ato de indiferença, um desprezo, principalmente, quando este ato partiu de uma pessoa muito próxima ou amada. A indiferença de alguém que gostamos, admiramos ou amamos nos marca profundamente.

Do mesmo modo a consideração e a solidariedade para com as pessoas, principalmente, por aquelas que desconhecemos ou não temos nenhum parentesco ou vínculo de amizade, não só marca profundamente um relacionamento, como também dá origem às mais sinceras amizades. Cria a mais autêntica consideração, pelo fato de que surge de uma pessoa que não tem a menor obrigação de ser gentil, prestativa ou amiga. Não se trata de um parente, um amigo ou conhecido, mas, de alguém que desconhecemos, e que, por solidariedade humana, educação, ou seja lá por que motivo for,  se movimentou e agiu com amor e consideração.
 O fator que mais acentua a presença desta deficiência nas pessoas é a falta de amor e a convicção de que, de um modo ou de outro, a pessoa desprezada é inferior e não merece a sua consideração. É mais fraca, ou é mais despreparada, ou é menos inteligente, ou é mais feia, ou menos experiente, ou menos rica e por aí vai. Ou seja, não há um indiferente sequer que não considere a sua vítima inferior a ele, neste ou naquele sentido. Sua capacidade de julgamento é avariada pelo seu próprio egocentrismo, que lhe diz: se sou superior, ele é inferior.
Por tudo isso o indiferente não consegue ver o sofrimento alheio, nem tampouco duvida da sua própria falsa superioridade e nem desconfia da sua falta de solidariedade e nem da sua falta de consideração.
Vagner Crepaldi
E.A.
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