Flores Naturais

No quesito relacionamentos, estamos vivendo uma época em que há uma incrível inversão de valores, onde a aparência tem mais valor que a realidade.
No inicio de qualquer relacionamento, claro que a aparência vem de forma a atrair o casal, e isso é fundamental, pois até mesmo Platão valorizava o “mundo das formas” em seus pensamentos.
Porém com passar do tempo, variável para cada casal, a realidade de cada um dos pares vem a tona e na grande maioria das vezes há uma não aceitação do que o outro realmente é.
Em épocas passadas havia um maior respeito quanto a isso, essas diferenças, e o sentimento entre ambos superava a luta atroz entre aparência e realidade.
Quando se vive de verdade, na realidade de como somos, é claro que existirão atritos e ajustes acontecendo no cotidiano.
Somos indivíduos antes de sermos pares de alguém.
Quando o casal vive de verdade é difícil conviver com essa individualidade do outro, porque existem sentimentos que, se não colocados sob rédeas, causam enorme conflito.
Com o tempo tudo isso vai se transformando em respeito pelo que somos e pelo o que o outro é e a tendência é as coisas se ajustarem através da convivência.
Porém com a facilidade de troca de parceiros que existe, o respeito, a cumplicidade e a empatia entre o casal ficou em segundo plano.
E a aparência  acabou virando a realidade.
E isso cria uma geração de casais bonitos por fora, porém vazios dentro do relacionamento.
E o relacionamento é bom enquanto não gera compromisso. Porque dentro do compromisso não há como viver de aparências.
A não ser por seres doentios.
Acreditem, tem quem opta por uma vida assim.
Daí vem o questionamento de tanta gente que procura se relacionar, porém sem estrutura alguma pra se relacionar de verdade.
E vai colocando sempre a culpa no outro. E trocando.
Daí tanta gente se transformando em flores de plástico.
As flores de plastico não morrem, são eternas.
É de fazer inveja para qualquer flor natural.
As flores naturais sofrem com a chuva, o frio, as mudanças de clima, os olhares de cobiça de transeuntes desejosos de sua beleza, e por defesa chegam a criar espinhos em seu caule para, depois de muito assédio e desencantos, mostrarem a quem se aproximar que também tem sensibilidade de escolha.
Isso gera rugas em suas pétalas, envergaduras em seus caules e algumas até choram através de gotas de orvalho ao amanhecer.
Mas um dia, mesmo após tudo isso, morrem.
As flores de plastico,são isentas de dor, de sensibilidade, não precisam se defender, passam orgulhosas pelos olhares de cobiça, sem sofrer e se vangloriando disso e pra falar a verdade, nem precisam dos tais espinhos que as colegas se utilizam para proteção.
Afinal, são eternas.
Sua beleza é perene.
Vivem em constante sorriso.
Nada de vicissitudes.
Não choram, não amam, não decepcionam,nem se frustram e nem precisam sentir ciúme.
É uma vida excelente.
Jamais correm o risco de serem apanhadas em arroubos de paixão por humanos atrevidos, nem de serem apanhadas para enfeitar cabelos, nem precisam colocar perfume por onde passam.
Aparência x realidade.
Dificil ou fácil a escolha das flores ?

Vagner Crepaldi

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